Cláudio Ananias - Cristianismo Inteligente: Refutações: Confissão Positiva e “Teologia” da Prosperidade louboutin saor

sábado, 30 de janeiro de 2010

Refutações: Confissão Positiva e “Teologia” da Prosperidade


Freqüentemente somos abordados por pessoas que fizeram ou estão fazendo o curso Rhema (a grade curricular normalmente segue as matérias do Centro de Treinamento Bíblico Rhema Brasil) que reforça o pensamento positivo a partir de textos bíblicos, e tem como base os escritos de Kenneth Hagin.
Uma das características das pessoas que estão tendo contato com esses ensinos é a imaginação de que “agora sim” estão conhecendo a verdade, mesmo depois de anos que aceitaram a Jesus, como se a revelação da Palavra de Deus só se tornasse possível sob a perspectiva desse seguimento evangélico atual.
Só pra se ter uma idéia, no arcabouço desses ensinos é visto alguns equívocos facilmente refutáveis. Vou enumerar seis deles:
1.       Fé na sua fé”. Estranho? Mas é isso mesmo. Eles ensinam que você deve ter fé em suas palavras, aí você terá fé em sua fé. E isso baseado em Marcos 11.23. REFUTAÇÃO: È só ler o versículo anterior, o 22. “Tende fé em Deus”. A fé deve ser depositada em Deus e não em nós mesmos.

2.      A fé do tipo de Deus”. Cuidado, eles podem dizer que o vers. 22 se traduz corretamente “tende a fé do tipo de Deus” como se Deus precisasse de fé. REFUTAÇÃO: O substantivo “Deus” é o objeto da fé e não o sujeito da fé, ou seja, “Não se trata da fé que Deus tem, e, sim, da fé da qual Deus é o objeto”. E isso está de acordo com o original ‘Echete pistin theou’.


3.      E tudo quanto exigirdes em meu nome”. Essa é a interpretação que Hagin faz de Jo 14.13. Assim, o crente não pede, mas exige de Deus, em nome de Jesus. REFUTAÇÃO: o verbo ‘pedir’ dessa passagem, de acordo com o termo grego original ‘aiteo’, significa pedir mesmo. Esse verbo sempre aparece no Novo Testamento com a idéia de súplica (Mt 7.7,11; Ef 3.20; Tg 1.5; I Jo 5.14,15).

4.      Jesus morreu espiritualmente e recebeu a natureza de Satanás”. Dizem que o sacrifício de Jesus para ser completo tinha que ter morte espiritual, além de física, e a serpente levantada por Moisés no deserto era a representação da natureza de Satanás em Jesus. REFUTAÇÃO: a Bíblia não fala sobre essa suposta morte espiritual em lugar nenhum, pode procurar. A alusão a serpente, do texto de Jo 3.14 se refere ao tipo de morte (ele foi levantado no madeiro, como Moisés levantou a serpente,). O texto de I Pe 3.18 diz claramente que Jesus foi “mortificado na carne”, e, além disso, Jesus foi o cordeiro imaculado (Hb 9.14; I Pe 1.19).

5.       “O crente não deve adoecer”. Baseiam-se no texto de Isaias 53.4,5 para argumentar que nós fomos sarados e o crente não deve adoecer mais. REFUTAÇÃO: O texto de Isaias diz respeito à cura espiritual, é só ler o contexto. E Pedro ainda explica que a cura é espiritual mesmo (I Pe 2.24,25). Através de Paulo muitos foram curados (At 19. 11,12), porém alguns textos sugerem problema físico em Paulo (Gl 4.13,14; 6.11; II Co 12.7), em Timóteo (I Tm 5.23) e em Trófimo (II Tm 4.20). Porque Paulo não os curou e também a si mesmo? Porque a soberania divina está acima de qualquer benção material e física, e Deus sabe o que é melhor para cada um de nós (Rm 8.28; II Co 12.9). Só a título de curiosidade: Kenneth Hagin passou seis semanas com cardiopatia, além das dores de cabeça e de outros sintomas que vieram depois de ser curado.

6.      O crente não deve ser pobre”. Um texto famoso que eles usam é Mc 10.30, dando ênfase a expressão “... que não receba cem vezes tanto”, assim o crente deve receber casas e campos cem vezes mais, se derem ao Senhor suas propriedades. Outros textos usados são os que falam de suprimento e prosperidade como Fl 4.19 e 3 Jo 2. REFUTAÇÃO: Se o texto de Mc 10.30 fosse aplicado literalmente, qualquer pessoa que desse um carro para a Igreja, receberia uma frota automaticamente, se desse uma casa, receberia um condomínio com cem casas, e assim por diante. Porém...

A família de Jesus era pobre (Lc 2.24; Lv 12.8), na igreja de Corinto havia crentes pobres (I Co 11.22), na Galácia também (Gl 2.10) e Pedro disse ao paralitico que não tinha “prata nem outro” (At 3.6). Os textos bíblicos que falam de prosperidade nem sempre estão se referindo a riquezas, como é o caso de 3 Jo 2: “...faço votos por tua prosperidade e saúde, assim como é próspera a tua alma”.

CONCLUSÃO:
Creio que estas simples refutações, porém profundas, são suficientes para deixar um crente sincero apto a questionar os proponentes da fé, quando eles vierem com aquele ar de detentores da verdade. Finalizo, reproduzindo as palavras de Charles H. Spurgeon: “O antigo pacto era um pacto de prosperidade. O novo pacto é um pacto de adversidades, mediante o qual estamos sendo desmamados deste mundo presente e nos preparando para o mundo vindouro”.
OBS: Utilizei os seguintes livros como consulta para esta postagem: Cristianismo em Crise, de Hank Hanegraaff (CPAD), e Super Crentes, de Paulo Romeiro (Mundo Cristão), além da Bíblia Sagrada (RC, de 1969).

5 comentários:

  1. Vanessa Dutra1 de fevereiro de 2010 05:42

    Paz do Senhor!

    Excelente reflexão!

    Pensando justamente nestes asssuntos, estou fazendo em meu blog uma pesquisa de opinião sobre o tempo em que estamos vivendo (dizem que é de unção, milagres, etc. Será?). Peço que participe. Basta deixar um comentário sobre o assunto na postagem mais recente.

    Obrigada e Deus abençoe!

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  2. Cláudio Ananias2 de fevereiro de 2010 07:56

    A Paz do Senhor, Vanessa.

    Obrigado pela participação. Será um prazer participar de sua pesquisa. Me informe seu blog.

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  3. winter21 de setembro de 2011 00:49

    a paz do Senhor,ananias.a cada dia aparece mais um pregador da properidade.é notório que os tais pregadores da prosperidade,pegam textos isolados.as vezes,chega a ser ridículo,algumas coisas que eles falam.por exemplo: alguns usam [fp 4:13]e deitam e rolam com ensinos errados.mas,basta voltar para [fp 4:11,12]e o ensino deles cai por terra.o apóstolo Paulo,já tinha aprendido a contentar-se com o que tinha.sabia estar abatido e em abudancia.outras coisas que eles esquecem é,prestar a atenção quem escreveu a carta.resumindo,eles devem analisar todo o contexto da carta aos filipenses.o povo de Deus,só tem a agradecer pelos ensinamentos com embasamentos bíblico.

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  4. Regente Eugenio Pereira16 de janeiro de 2016 13:03

    Muito bom texto!

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  5. xjd7410@gmail.com20 de julho de 2016 03:27

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Cachimbos

Este não é mais um blog sobre cachimbos ou sobre a arte de cachimbar. Seria mais um registro cronológico de minha aventura no mundo fascinante e cativante dos cachimbos.


segunda-feira, 12 de março de 2012

Oxidação de Piteiras e sua Remoção

De acordo com os conhecimentos contidos no livro "Tabacos e Cachimbos", de Alfredo Maia (p. 220), mais de 80% de todos os cachimbos de briar fabricados atualmente empregam o ebonite (ou vulcanite) como matéria prima para as piteiras. Outros materiais empregados na fabricação de piteiras são o acrílico e seu sucedâneo aperfeiçoado, a lucite.

A ebonite nada mais é do que a vulcanização da borracha com excesso de enxofre. De acordo com Alfredo Maia (p. 220): "o produto resultante dessa vulcanização é um material duro, rígido, brilhante, bastante leve e sem porosidade e que não altera o sabor da fumaça".

Porém, as piteiras de ebonite apresentam um defeito, exposto por Alfredo Maia (p. 221): "com o uso e passar do tempo, as piteiras de ebonite vão se descolorindo e adquirem um tom esverdeado ou amarelado. Essa descoloração é resultado da oxidação do enxofre pelo contato com a umidade (do ar, da saliva) e da exposição à luz. O enxofre oxidado tende a migrar para a superfície que pode apresentar um pouco de cheiro e sabor de enxofre".

A oxidação, tão conhecida de todos os cachimbeiros, atrapalha o sabor da fumada e o toque dos lábios com a piteira, além de ser desagradável aos olhos.

Há materiais próprios para preservar a piteira e diminuir ou até mesmo evitar a oxidação do enxofre. Destacam-se detergentes específicos para esses fins e óleos e ceras desenvolvidos para cachimbeiros, como o óleo da Obsidian e a cera de polir piteiras da Brebbia. A Dunhill também tem uma linha de produtos destinados à conservação da piteira.

Esses produtos não influenciam o gosto da fumada, pois não possuem aroma. Após a aplicação, forma-se uma camada protetora que garantirá a qualidade do ebonite por mais tempo. Estes materiais, porém, é inócuo quando a oxidação já está presente.

Nestes casos, a piteira deve ser lixada com um motoesmeril com polias de polimento. Como a oxidação se forma na camada superficial da piteira, a aplicação de um motoesmeril literalmente raspa a piteira, ou seja, elimina-se toda a camada superficial da piteira, onde formou-se a oxidação.

Após estudar e ler um pouco na internet: Pipe Smokers Forum, dentre outros, descobri uma técnica caseira de remoção da oxidação. Como os sites são geralmente em inglês, os cachimbeiros acabam mencionando marcas e produtos disponíveis para eles. Tentarei apontar similares.

Inicialmente, deve-se dissolver algumas colheres de um produto chamado "Oxiclean" em água quente, que pelas características de removedor de manchas, é parecido com o "Vanish" e outros encontrados em supermercados:



Deve-se imergir a piteira nessa solução por 5 a 10 minutos, mexendo de vez em quando:



Deve se ter o cuidado de não deixar a piteira na solução por mais do que 10 minutos, pois a solução pode fragilizá-la.

Alguns, ao invés do Oxiclean/Vanish, usam água sanitária, numa solução de 50/50 em água da torneira. Até onde pude aprender, quando se usa essa solução a piteira fica imersa por muito mais tempo. A água sanitária deixa uma superfície rugosa no plástico, que depois deve ser desbastada lixando-a.

Qualquer que seja o método, deve-se tomar cuidado com os logos e marcações na piteira. Uma fita adesiva ou vaselina os protegem bem.

Haverá a formação de uma massa na piteira. Essa massa deve ser removida empregando-se uma lixa a seco ou d'água grão 600. Há lixas dessa natureza à venda no mercado brasileiro, das marcas 3M, Norton e outras. Essa limpeza deve ser feita até que a piteira esteja negra novamente.



Uma das recomendações é que o todo o processo de lixar seja feito com a piteira encaixada no cachimbo, para se evitar que se criem espaços entre a piteira e o cabo.

Uma breve explicação sobre as granulações das lixas (fonte: Wikipedia): lixas são materiais com superfície abrasiva composta geralmente por minerais, e empregadas para polir. A granulação da lixa se refere ao número de grãos de areia por centímetro quadrado. As lixas acima de 600 são consideradas muito finas, empregadas para lustre e polimento. As acima de 1600 são consideradas extremamente finas, empregadas para lustrar joias.

Agora vem a parte mais sensível, o acabamento. Foi altamente recomendado o uso de lixas da marca micro-mesh, que são empregadas para o acabamento em diversos tipo de superfícies: plástico,  alumínio, cobre, madeira, metal, polímeros.... de acordo com o fabricante: http://www.sisweb.com/micromesh/.

Essas lixas vêm em graduações extremamente finas, nais quais o grão vai de 1500 a 12000 (30 a 2 microns). No caso das piteiras, a instrução seria aplicar gradualmente todo o espectro das lixas, até que a superfície da piteira esteja brilhando como nova. Esta marca de lixas com granulações tão extremas devem ser fáceis de se adquirir lá fora, porém o mesmo não se aplica ao caso tupiniquim.....

Vê-se claramente que são empregadas lixas muito, mas muito finas, que são destinadas a polimento. O uso do esmeril elimina a necessidade de imersão da piteira em uma solução como a apresentada acima. Como toadas as lixas são para polimento, a imersão inicial prepara a piteira ao 'soltar' a superfície oxidada. Estou em busca de um similar no mercado brasileiro para as lixas da micro-mesh, que chegam ao grão 12.000. Se algum cachimbeiro puder ajudar, é muito bem-vindo. Se eu encontrar, atualizo este post e testarei o processo em dois cachimbos estates que possuo. Caso contrário, o jeito vai ser encomendar de fora, onde o kit completo das lixas custa não mais que US$ 15,00.

5 comentários:

  1. Anônimo14 de janeiro de 2015 00:29

    Procura em lojas de pintura, eles tem essas lixas pois são utilizadas em polimento automotivo, como você vai utilizar uma folha, pode até trocar uma ideia com alguma oficina de pintura ou algum lava rápido que efetue o polimento e cristalização da pintura do carro, eles com certeza tem essas lixas, não sei se vão ter a 12000 mas a 1200, 1500, 2000, 2500, 3000, 3500, 4000 e 5000 eles tem com certeza.

    Grande Abraço e boa sorte na empreitada.

    Cordialmente
    Pedro H. Matheus

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. salvador Rufino24 de fevereiro de 2016 15:10

      Olá, você conhece alguém que trabalha com confeção de piterias de ebonite? tenho peças para reparar e não conhecó ninguem que faç aesse trabalho

      Se souber , por favor informe
      Grato

      Salvador
      11 9 9433-6000

      Excluir
    2. Anônimo25 de julho de 2016 09:56

      Moro no Rio, onde os cachimbeiros parecem ter desaparecido completamente. Prazer em ver que em 2016 ainda existem algures pelo Brasil...

      Excluir
    3. Responder
  2. Juane Weg28 de outubro de 2015 23:22

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Orquídea Negra e o capricho do momento...

Orquídea Negra: vermelho púrpura, intenso, aveludado! A cor ideal da sensibilidade à Arte que dá largas à imaginação e materializa o ser. Sensibilidades (inconscientes) e saberes auto-didácticos. Daí que o "capricho" do momento... vai passar, necessariamente, pela seiva... o sangue português (minhoto) que lhe corre nas veias - artístico, literário, estético!

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domingo, 12 de agosto de 2012

Sabores tradicionais do Minho - "Foda à Monção".





A "Foda à Monção" não é mais que cabrito (ou cordeiro) no forno com arroz, o prato mais típico da zona de Monção, iguaria a provar (e comer) por todo o visitante que se preze!
E regado com "Alvarinho"(1)? Descontrai, o dia corre melhor, as pessoas ficam mais felizes...







"Foda à Monção"?
Confesso que nunca provei uma foda à Monção.
Modéstia à parte, já provei fodas nos 5 continentes, mas nunca em Monção.
Em Valença, sim, que é lá perto, mas quando pernoitei em Monção estava com o estômago muito pesado e não dei uma para a caixa.
Agora, o que eu não sabia – juro que não sabia! – é que a Câmara de Monção quer mesmo certificar as fodas à moda lá da terra.
Que ideia do c******!
Já viram bem o orgulho que é um cidadão de Monção andar com um certificado, tipo um crachá, espetado no peito, dizendo algo do género: fodas à Monção é comigo!
E não há cá eufemismos: não é fazer amor à Monção, ou queca, ou mocada, ou trolitada, ou cambalhota à Monção.
É mesmo foda e mais nada!
É de Câmaras Municipais como esta que o povo precisa!

- in "O Incomensurável Coiso" (22.Jan.2010)



O cabrito à moda de… é quase uma figura obrigatória nos cardápios portugueses. Mas o de Monção é especial. Especial pela confecção, pelo sabor e pelo nome pelo qual é vulgarmente conhecido.
Relativamente à confecção, poderíamos dizer, simplesmente, que se trata de cabrito assado com arroz no forno.
A preparação começa de véspera com uma boa lavagem do bicho, com muita água com limão e a retirada das gorduras em excesso. Depois de lavado é temperado com alho, sal e vinagre, permanecendo assim até ao dia seguinte e tendo o cuidado de, de tempos a tempos, o esfregar bem com aquele tempero.
No dia do repasto cozem-se, numa panela grande, uma diversidade de carnes e enchidos como se fosse um cozido à portuguesa. Escorre-se o caldo e apura-se bem, temperado a gosto e colorido com um pouco de açafrão.
Enquanto o forno de lenha aquece, escorre-se e limpa-se o reixelo(2) do alho e restos de tempero untando-o com um molho feito de caldo, banha e açafrão.
Num alguidar de barro vidrado coloca-se a quantidade de arroz (carolino) desejada, deita-se o caldo do cozido (mais ou menos um litro por cada quilo de arroz, mexe-se bem. Coloca-se uma grelha sobre o alguidar e sobre a grelha o reixelo, com as pernas bem atadas.
Por fim, com o forno bem aquecido e limpo das brasas, coloca-se o alguidar lá dentro e fecha-se a porta.
O tempo de cozedura não pode ser definido. Cada forno tem o seu tempo, é preciso “conhecê-lo”. A meio abre-se a porta, volta-se o cabrito para tostar do outro lado e aproveita-se para provar o arroz que, nesta fase, já faz crescer água na boca.
Num evento mais familiar sai do forno e vai direito à mesa para gáudio de quem vai ter o prazer de o saborear.
O sabor… ?! Só visto, digo, saboreando. É único.
Finalmente o nome:
Como é tradicional, os habitantes do burgo, que não possuíam rebanhos, dirigiam-se às feiras (coisa que já não existe) para comprar o reixelo. E, como em todas as feiras, havia de tudo, bom e mau. A verdade é que os produtores de gado, quando o levavam para a feira queriam vendê-lo pelo melhor preço e, para que os reixelos parecessem gordos punham-lhes sal na forragem o que os obrigava a beber muita água. Na feira apareciam com uma barriga cheia de água e pesados, pareciam realmente gordos. Os incautos que não sabiam da manha compravam aqueles autênticos “sacos de água” e, quando se apercebiam do logro exclamavam à boa maneira do norte: … mais uma foda!
Daí, tanto se vulgarizou o termo que passou a designar-se, localmente, por foda. De tal modo que é frequente, pelas alturas festivas (Páscoa, Corpo de Deus ou Coca, Senhora das Dores e Natal ou Fim de Ano) ouvir as mulheres: Ó Maria, já metes-te a foda?
Também há quem diga que a origem é outra. Que os maridos, depois de encherem o bandulho, dizem para as esposas que aquilo é melhor que uma foda!

MEMÓRIAS... Gastronomias


 


Confraria da “Foda”

Eu li, e ouvi com atenção
Porque diz-se, está na moda,
Li que nasceu em Monção,
A confraria da “Foda”.

Não é asneira nem pecado,
Nem mesmo um palavrão!
A “Foda” é o cabrito assado,
Feito à moda de Monção.

Vou sempre comer a “Foda”
Quando viajo até Monção.
Quem lá vai e não come a “Foda”,
Não sabe o que lá é bom.

Agora com a confraria
A fazer-lhe a promoção,
Vai ser grande a romaria

P'ra ir à "Foda" a Monção. 
                       
Recomendo, sei que é bom,
Comer um dos melhores pitéus,
O cabrito assado em Monção,
Soberbo manjar de Deus.

Muitos comem, e se gostam!
Comem com satisfação,
Um dos pratos mais eleitos,
Da cozinha de Monção.

Não sei quem foi seu autor,
Eu como, e sei que é bom!
Sei que a “Foda” faz furor
Nas ementas de Monção.

Vai pingando no arroz
Quando o cabrito está a assar,
Assim toma seus sabores,
Aquele belo manjar.

Não sei quem o baptizou,
Se o nome é feio ou bonito,
Mas estou certo que gostou!
Se comeu do tal cabrito.

O nome, pouco importa,
Se é foda ou fodiola,
Sei que é bom, e a gente gosta,
Porque o sabor nos consola.


- Poemas de Manuel Ribeiro


   






(1) - Alvarinho é uma casta branca da espécie da Vitis vinifera originária do Noroeste da Península Ibérica. É a mais nobre das castas brancas portuguesas e produz um vinho de elevadíssima qualidade. Actualmente é plantada em diversas regiões de Portugal e do Mundo, mas é na Sub-região de Monção e Melgaço que se revela e atinge o máximo das suas potencialidades.
O vinho monovarietal da casta Alvarinho (Vinho Alvarinho) é um vinho que possui cor intensa, palha e com reflexos citrinos. O aroma é intenso, distinto, delicado e complexo, que vai desde o marmelo, pêssego, banana, limão, maracujá e líchia (carácter frutado), a flor de laranjeira e violeta (carácter floral), a avelã e noz (carácter amendoado) e a mel (carácter caramelizado). O seu sabor é complexo, macio, redondo, harmonioso, encorpado e persistente. (in Wiki).
(2) - Para quem, como eu, achou o termo "reixelo" meio "peregrino", o qual, aliás, não me parece que tenha alguma coisa de minhoto (alto-minhoto), trata-se, muito simplesmente, do dito cujo animalzinho - cabrito ou cordeiro.




1 comentário:

  1. CardusMc21 de abril de 2016 às 17:20

    Adorei...

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